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domingo, 12 de junho de 2011

Namoro é para beijar e não para agredir

12/06/2011 05:08

Especialista afirma que, na maior parte dos casos, agressor é do sexo masculino e vítimas são mulheres com baixa autoestima, tristes e que deixam as próprias atividades para atender parceiros        


Cristina Camargo
Agência BOM DIA

Ninguém esquece o drama da adolescente Eloá Pimentel, morta em 2008 pelo ex-namorado após cinco dias de cárcere privado num apartamento em Santo André (SP). Não dá para esquecer mesmo. Tudo aconteceu em rede nacional de televisão. Eloá tinha apenas 15 anos. O assassino, Lindemberg Alves Fernandes, estava com 22. Dois jovens numa relação que chegou ao extremo da violência.
Longe das câmeras de televisão, outros casais de namorados trocam os beijos e abraços por ameaças, pressão psicológica e agressão física.
A maioria das vítimas são as mulheres, como confirma o psicólogo Thiago de Almeida, especialista no tratamento das dificuldades do relacionamento amoroso e autor do livro “A arte da paquera: inspirações à realização afetiva”.
“Em geral, as vítimas são mesmo as namoradas. Na maior parte dos casos de violência, o agressor é do sexo masculino”, diz.
Segundo o especialista, em grande parte são agressões associadas ao ciúme, sentimento que costuma ser relacionado ao zelo do parceiro, o que pode servir para justificar o exercício da violência.
Uma “autorização” para agredir em nome do amor.

Amor?
“Na verdade, é em nome do egoísmo”, afirma o psicólogo.

Na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) são raras as namoradas que chegam para denunciar os parceiros. Em geral, os casos de violência contra a mulher que chegam à polícia são dentro do casamento. Na Casa Abrigo também não existe nenhuma namorada que tenha sido obrigada a se esconder – apenas mulheres casadas com seus filhos pequenos.
Mas a falta registros oficiais pode mascarar uma realidade: a baixa autoestima e o ato de esconder as lesões sofridas são componentes do perfil das vítimas de violência durante a fase do namoro.
Meninas ainda jovens que vivem o conto de fadas ao contrário (ou seja, beijam o príncipe e ele vira sapo) costumam ser depressivas, isoladas, tímidas e muito tristes.
Atenção /Os pais ou responsáveis podem observar outros comportamentos característicos e ficar atentos para procurar ajuda especializada.
Segundo Thiago de Almeida, as vítimas de um relacionamento opressivo faltam com frequência na escola ou no trabalho para atender as necessidades do parceiro, parecem estar sempre em estado de alerta, podem apresentar comportamento agressivo e têm baixo aproveitamento escolar ou na vida profissional.
“Eu passei por isso. Mas achei melhor não denunciar, por medo. E também por amor. Achei que ele poderia mudar e nunca mais fazer isso”, conta L., 22, vítima da violência na fase final da adolescência.
Ela não foi à polícia, mas decidiu reagir na segunda vez que o então namorado ameaçou agredi-la. Contou para os pais, conseguiu a ajuda da família, terminou o relacionamento e nunca mais quis ver o garoto.
“Agora, procuro quem goste de verdade de mim. Caso contrário, fico sozinha mesmo.”
11.340
É o número da lei que pune a violência
Legislação contra violência não é só para casadas
A Lei Maria da Penha também pode ser usada para processar homens que agridem suas namoradas. A decisão é do Superior Tribunal de Justiça
Inspiradora da lei terá vida retratada no cinema
A luta de Maria da Penha Fernandes para prender o ex-marido agressor vai virar filme, rodado ano que vem e com direção de Cininha de Paula

Punição também pode valer em casamento gay
A primeira decisão judicial de aplicar a Lei Maria da Penha numa relação homossexual foi tomada em fevereiro deste ano, no Rio Grande do Sul

Agressões a famosas, como Luana, ganham repercussão
Entre as celebridades brasileiras, ficou famosa a história de agressão envolvendo os atores Dado Dolabella e Luana Piovani. Os dois discutiram numa boate e a atriz denunciou o namorado com base na Lei Maria da Penha.
Resultado: processo, escândalo e a ordem judicial para que o ator fique longe de Luana.
Outro caso célebre, este internacional, é o da cantora Rihanna, que denunciou agressão praticada pelo rapper Chris Brown.
Site especializado em notícias dos famosos chegou a divulgar imagens da cantora logo depois da agressão. Na imagem, ela estava com ferimentos no rosto.
Lia, dançarina que ficou conhecida depois de participar do “Big Brother 10”, também já revelou ter sido agredida por um namorado quando tinha 18 anos.
“Acreditava que ele iria parar, mas não parou. Bebia e me batia. Em dois anos e meio de namoro, fui agredida durante um ano e meio”, contou, em entrevista.
Para escapar, ela mudou de endereço, foi transferida no trabalho e decidiu nunca mais ver o namorado agressor.
Depois de interpretar uma vítima da violência doméstica no filme “The Burning Bed”, em 1984, a atriz Farrah Fawcett se aproximou de instituições que cuidam desse tipo de vítima e deixou para elas parte de sua fortuna.
Perfil do agressor
Vê a parceira como um objeto que lhe pertence
Assim, costuma inverter a culpa e acusar a namorada de ser a causadora dos problemas na relação. Há casos em que a agressora é a mulher, mas são mais raros

Defende a aplicação de disciplina severa na relação
Costuma se irritar e tem pouca paciência em diversas situações. É também comum que possua histórico de violência em sua própria infância, o que faz com que encare a agressividade como fato normal


Faz uso indevido de drogas ou álcool ou os dois juntos
Possui um temperamento autoritário e controlador e mente sobre a causa das lesões na parceira.

Cobra desempenho físico e/ou intelectual acima da capacidade
Por causa disso, pratica a violência psicológica e também humilha a namorada.

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