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sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Efeito Dia dos Namorados" afeta cabeleireiros e até psicólogos

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Data mexe com a autoestima de quem está solteiro, provocando reflexão e busca por serviços que promovem bem-estar

É só o tempo esquentar um pouco, anunciando o verão, que começa a corrida de quem quer um milagre instantâneo: tratamentos de estética, matrícula na academia e, até mesmo, considerar bisturi. Mas não é só nesta época do ano que o comportamento imediatista aparece.
O “efeito Dia dos Namorados” atinge em cheio quem está só – homens e mulheres, independentemente da idade. É que, nos dias que antecedem e sucedem a data, parece imperar a lei de que ficar só ou mal-acompanhado não é uma alternativa possível.

O psicólogo Thiago de Almeida, especialista em relacionamentos amorosos e autor do livro “A arte da paquera: inspirações à realização afetiva” (Editora Letras do Brasil), diz que até ele é afetado pela data. “Meu consultório fica cheio, porque as pessoas chegam até mim procurando resolver suas vidas em relação ao namoro e até casamento”, diz. O momento, como o Natal, é usado por muitos como um balanço para avaliar certos aspectos da vida. “As pessoas sentem que algo não está de acordo com o que elas esperavam”. Resultado? A busca imediata por soluções que indiquem o caminho rumo à cara-metade.

Mas o comportamentos imediatista geralmente não produz efeitos positivos. “Se você fica mais preocupado em ter uma pessoa ao lado do que fazer uma triagem, podemos dizer que terá nas mãos uma bomba-relógio”, ressalta Almeida. De acordo com ele, muitos casais são formados na véspera do Dia dos Namorados, mas poucos dão certo em longo prazo. “Sentimentos e comportamentos que estavam tão vívidos nesta fase podem não estar mais no dia-a-dia, porque o relacionamento amoroso é algo que se constrói, se desenvolve no cotidiano”.

Na contramão, Sheila Chamecki Rigler, diretora da agência de relacionamentos Par Ideal, afirma que a ansiedade para comemorar o Dia dos Namorados existe mesmo (mulheres cadastradas tendem a telefonar mais para questionar se já existe algum pretendente interessado nessa época), mas acredita que as pessoas não deixam suas exigências e preferências de lado apenas para não ficarem sozinhas na data. “Todas querem encontrar seu par rapidamente. Mas preferem esperar e encontrar alguém que atenda suas expectativas”.

Em compensação, aponta que o período que sucede a data é conhecidamente mais convidativo para a procura do serviço. “As pessoas decidem que, no próximo Dia dos Namorados, não querem mais estar sozinhas”, comenta.

Salões e academias
O Dia dos Namorados no Brasil é um período especial para salões de beleza. A rede Jacques Janine, por exemplo, tem um aumento de cerca de 20% nos serviços de estética na semana que antecede a data. Mas o perfil dos clientes é definido majoritariamente por casais e mulheres jovens – que já ingressaram em um relacionamento e querem só dar uma caprichada para agradar os parceiros na noite especial. Solteiros parecem reconhecer que a estética melhorada não fará com que o mar se torne melhor para peixe do dia para a noite.

Academias, por sua vez, podem ser afetadas negativamente pelos dias frios (motivo de preguiça para muita gente). “A frequência de pessoas na academia diminui bastante no inverno”, diz Fernanda Toledo, professora de academia e personal trainer. “Acho que, na verdade, a mulherada que está solteira fica em casa deprimida comendo muito, isso sim!”, brinca ela. Para driblar o problema, uma solução é motivar casais com programações e pacotes especiais. Mas a rede Runner já observou que muitos namorados aproveitam a data para dar de presente um plano da academia, passando a oferecer um plano chamado “Amor sob medida: na compra de um plano para uma pessoa, o cônjuge ganha 50% de desconto”.

Repensando os contatos imediatos
Pode ser que uma caprichada no visual seja um estímulo aos olhos do outro. Mas a recomendação do psicólogo Almeida é de que esta busca não seja o reflexo de uma carência doentia, de uma personalidade esvaziada ou depressiva. “Na verdade, ninguém está interessado em uma metade da laranja, mas na laranja inteira”, explica. “Não dá para ser uma pessoa antes e depois não ser“. Para tanto, é necessário que se tenha em mente que soluções imediatas e superficiais podem não corresponder ao desejo do outro o ano todo, e que uma atitude impensada muitas vezes também implica no desejo de que o outro chegue para resolver todos os seus problemas – o que está longe de ser verdade.

“Antigamente, as pessoas viviam procurando no outro a imagem de beijar o sapo para transformá-lo em príncipe. Hoje sabemos que podemos encontrar o amor onde ele realmente está: na fila da padaria, da videolocadora, talvez no trabalho – e muito mais perto do que se imagina”, diz Almeida. Enquanto o encontro não acontece, vale a dica de Fernanda: “troque presentes com os amigos gays e solteiros também, só para não passar batido”. E, claro, não custa nada dar uma arrumadinha no cabelo, fazer uma caminhada e estar aberto a novas possibilidades com um sorriso no rosto. Afinal, é a própria autoestima que está em jogo quando se fala em uma vida feliz e completa.

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