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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Por que no Brasil o Dia dos Namorados não é em fevereiro?

No Brasil, o Dia dos Namorados é comemorado em 12 de junho - para os católicos, véspera do dia dedicado a Santo Antônio, também conhecido pela fama de "casamenteiro". Mas em boa parte do mundo, principalmente em países do hemisfério norte, a data é celebrada em 14 de fevereiro, naquele que é denominado Dia de São Valentim. Mas você sabe como tudo começou? E qual o motivo de em nosso país comemorarmos esse dia em uma ocasião diferente da maioria dos outros povos?
Segundo o psicólogo, pesquisador e especialista em relacionamentos amorosos Thiago de Almeida, as origens do Dia dos Namorados estão no século IV a.C., com a festa romana feita em homenagem ao deus Lubercus, o Festival de Lupercalia. Naquela época, o festival, que ocorria em fevereiro, servia para que a população pedisse proteção aos pastores e abundância nas colheitas. Contudo, durante a festa, havia um jarro de cerâmica com os nomes das moças da região para que os rapazes pudessem escolher quem seria a companheira para as festividades do dia e de outros eventos até o próximo ano. Alguns pares, em função da convivência e da proximidade, apaixonavam-se e acabavam se casando.
"Este festival durou cerca de 800 anos, porém foi alterado com o surgimento do cristianismo: ao invés dos nomes das moças, a Igreja Católica começou a usar os nomes dos santos. O deus homenageado também foi trocado. Lubercus era um deus pagão e, portanto, impróprio para a ideologia cristã. Foi em função disso que surgiu a ideia de santificar o presbítero Valentim", explica Almeida.
Porém, a substituição não foi tranquila. Naquela época (aproximadamente no século II d.C.), o imperador romano Claudius não suportava e ideia de que São Valentim pudesse ser mais popular pregando a existência de apenas um Deus, pois, na visão dele, tal popularidade poderia tirá-lo do poder. Além disso, achava um desrespeito com os deuses romanos a ideia de haver um único Deus, e proibiu o casamento para que os soldados não sentissem saudades de casa. As pessoas que negavam o politeísmo, inclusive São Valentim, eram perseguidas, aprisionadas e torturadas.
Mesmo assim, havia aqueles que não concordavam com o imperador. "Os apaixonados encontraram refúgio no presbítero Valentim. Ele havia sido o único no Império que continuava a celebrar casamentos", conta Almeida. Mas, quando o imperador descobriu a audácia de Valentim, colocou-o na prisão. Contudo, mesmo encarcerado o presbítero continuou a realizar conversões e a louvar a Deus, o que levou Claudius a querer decapitá-lo.
Diz a lenda que, antes de morrer, no dia 14 de fevereiro de 269 d.C. (na véspera do Festival de Lupercalia), Valentim se disse apaixonado pela filha do guarda da prisão, que era cega. A moça levava refeições diariamente para os prisioneiros e foi ela quem recebeu a última carta de Valentim, que, ao se despedir, fez com que ela pudesse enxergar. Na carta de despedida estava assinado: "seu eterno Valentim" (frase que ainda é impressa em cartões do dia de São Valentim).
Mesmo sendo a data mais reconhecida em todo mundo para comemorar o dia dos apaixonados, há vários países que comemoram o amor dos casais em ocasiões diferentes. Afinal, como outras histórias, esta não chegou a ser difundida em todas as culturas. No Brasil, por exemplo, até 1949 não existia data no calendário para festejar o romance entre namorados, pretendentes e apaixonados.
De acordo com Thiago de Almeida, apesar do dia 12 de junho ser exatamente a véspera do dia de Santo Antônio, o fato do dia dos namorados ser em junho tem relação com a questão comercial - até então, esse era um mês de mercado pouco aquecido, considerado o mais fraco para o comércio. "Para melhorar as vendas, um publicitário de nome João Dória, ligado à agência Standard Propaganda, lançou, a pedido da extinta loja Clipper, uma campanha para melhorar as vendas de junho. A campanha, com o apoio da Confederação do Comércio de São Paulo, consistiu na mudança do dia de São Valentim para o dia 12 de junho com o slogan: 'não é só de beijos que vive o amor'", relata o pesquisador.
A campanha publicitária fez com que as vendas subissem consideravelmente. A data foi criada pelo comércio paulista e depois assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito que o dia de São Valentim tem no Hemisfério Norte e, é claro, incentivar a troca de presentes entre os enamorados.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Efeito Dia dos Namorados" afeta cabeleireiros e até psicólogos

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Data mexe com a autoestima de quem está solteiro, provocando reflexão e busca por serviços que promovem bem-estar

É só o tempo esquentar um pouco, anunciando o verão, que começa a corrida de quem quer um milagre instantâneo: tratamentos de estética, matrícula na academia e, até mesmo, considerar bisturi. Mas não é só nesta época do ano que o comportamento imediatista aparece.
O “efeito Dia dos Namorados” atinge em cheio quem está só – homens e mulheres, independentemente da idade. É que, nos dias que antecedem e sucedem a data, parece imperar a lei de que ficar só ou mal-acompanhado não é uma alternativa possível.

O psicólogo Thiago de Almeida, especialista em relacionamentos amorosos e autor do livro “A arte da paquera: inspirações à realização afetiva” (Editora Letras do Brasil), diz que até ele é afetado pela data. “Meu consultório fica cheio, porque as pessoas chegam até mim procurando resolver suas vidas em relação ao namoro e até casamento”, diz. O momento, como o Natal, é usado por muitos como um balanço para avaliar certos aspectos da vida. “As pessoas sentem que algo não está de acordo com o que elas esperavam”. Resultado? A busca imediata por soluções que indiquem o caminho rumo à cara-metade.

Mas o comportamentos imediatista geralmente não produz efeitos positivos. “Se você fica mais preocupado em ter uma pessoa ao lado do que fazer uma triagem, podemos dizer que terá nas mãos uma bomba-relógio”, ressalta Almeida. De acordo com ele, muitos casais são formados na véspera do Dia dos Namorados, mas poucos dão certo em longo prazo. “Sentimentos e comportamentos que estavam tão vívidos nesta fase podem não estar mais no dia-a-dia, porque o relacionamento amoroso é algo que se constrói, se desenvolve no cotidiano”.

Na contramão, Sheila Chamecki Rigler, diretora da agência de relacionamentos Par Ideal, afirma que a ansiedade para comemorar o Dia dos Namorados existe mesmo (mulheres cadastradas tendem a telefonar mais para questionar se já existe algum pretendente interessado nessa época), mas acredita que as pessoas não deixam suas exigências e preferências de lado apenas para não ficarem sozinhas na data. “Todas querem encontrar seu par rapidamente. Mas preferem esperar e encontrar alguém que atenda suas expectativas”.

Em compensação, aponta que o período que sucede a data é conhecidamente mais convidativo para a procura do serviço. “As pessoas decidem que, no próximo Dia dos Namorados, não querem mais estar sozinhas”, comenta.

Salões e academias
O Dia dos Namorados no Brasil é um período especial para salões de beleza. A rede Jacques Janine, por exemplo, tem um aumento de cerca de 20% nos serviços de estética na semana que antecede a data. Mas o perfil dos clientes é definido majoritariamente por casais e mulheres jovens – que já ingressaram em um relacionamento e querem só dar uma caprichada para agradar os parceiros na noite especial. Solteiros parecem reconhecer que a estética melhorada não fará com que o mar se torne melhor para peixe do dia para a noite.

Academias, por sua vez, podem ser afetadas negativamente pelos dias frios (motivo de preguiça para muita gente). “A frequência de pessoas na academia diminui bastante no inverno”, diz Fernanda Toledo, professora de academia e personal trainer. “Acho que, na verdade, a mulherada que está solteira fica em casa deprimida comendo muito, isso sim!”, brinca ela. Para driblar o problema, uma solução é motivar casais com programações e pacotes especiais. Mas a rede Runner já observou que muitos namorados aproveitam a data para dar de presente um plano da academia, passando a oferecer um plano chamado “Amor sob medida: na compra de um plano para uma pessoa, o cônjuge ganha 50% de desconto”.

Repensando os contatos imediatos
Pode ser que uma caprichada no visual seja um estímulo aos olhos do outro. Mas a recomendação do psicólogo Almeida é de que esta busca não seja o reflexo de uma carência doentia, de uma personalidade esvaziada ou depressiva. “Na verdade, ninguém está interessado em uma metade da laranja, mas na laranja inteira”, explica. “Não dá para ser uma pessoa antes e depois não ser“. Para tanto, é necessário que se tenha em mente que soluções imediatas e superficiais podem não corresponder ao desejo do outro o ano todo, e que uma atitude impensada muitas vezes também implica no desejo de que o outro chegue para resolver todos os seus problemas – o que está longe de ser verdade.

“Antigamente, as pessoas viviam procurando no outro a imagem de beijar o sapo para transformá-lo em príncipe. Hoje sabemos que podemos encontrar o amor onde ele realmente está: na fila da padaria, da videolocadora, talvez no trabalho – e muito mais perto do que se imagina”, diz Almeida. Enquanto o encontro não acontece, vale a dica de Fernanda: “troque presentes com os amigos gays e solteiros também, só para não passar batido”. E, claro, não custa nada dar uma arrumadinha no cabelo, fazer uma caminhada e estar aberto a novas possibilidades com um sorriso no rosto. Afinal, é a própria autoestima que está em jogo quando se fala em uma vida feliz e completa.