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segunda-feira, 16 de março de 2015

O relacionamento do casal durante a gravidez

Gravidez não é doença, muito pelo contrário, é um estado de graça e plenitude vivido pela mulher. No entanto, a coisa pode ser bem menos romântica na prática, sendo esse um período conturbado, repleto de medos e incertezas. É mais comum do que pensamos, grávidas passarem por algum tipo de problema afetivo nessa fase, podendo até desencadear em uma depressão pós-parto ou até resultar na separação do casal.
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Como muitas mulheres não se sentem confortáveis a falar sobre esse tipo de assunto, nem mesmo com a melhor amiga, resolvemos quebrar o tabu, trazendo para vocês uma entrevistaexclusiva com Thiago de Almeida, psicólogo especialista no tratamento das dificuldades do relacionamento amoroso e autor dos livros “A arte da paquera: inspirações à realização afetiva” e “Amor, ciúme e infidelidade – como essas questões afetam sua vida”, dentre outros.
Alguns homens consideram o sexo durante a gravidez extremamente excitante, enquanto outros nem querem ouvir falar do assunto. Ambos os casos são perfeitamente normais e dependem de uma série de fatores, mas uma coisa é certa: a vida sexual muda na gestação. Um influenciador dessa alteração é o fato de algumas gestantes ficarem impedidas de terem relações sexuais em função de uma gravidez de alto risco.
Essa proibição, que pode levar meses ou até mesmo durar toda a gestação, causa na mulher muita insegurança. Para Thiago, “os casais devem priorizar o diálogo em qualquer situação, em qualquer momento de uma relação. Se existe uma situação de risco para a mulher que está grávida e para o bebê, o casal deve entender que nesse momento a prioridade é a saúde da mãe e da criança. É uma situação passageira e que pode ser evitada para prevenir problemas futuros. Deve haver companheirismo e diálogo para se chegar a uma solução, sem prejuízo para os parceiros e sem que a mulher sinta-se insegura”. E dá a dica: “Existem muitas maneiras de se relacionar sexualmente sem que haja penetração”.
O nascimento do bebê pode não significar a volta da rotina sexual do casal. Isso porque algumas mulheres, ainda desacostumadas com o corpo modificado pela gravidez, se sentem com a autoestima muito baixa, ficam incomodadas com o aleitamento materno e acabam evitando seus parceiros. Thiago garante que isso é extremamente comum após o parto, já que há o aumento de peso, inchaço, muitas vezes falta tempo para a vaidade, visto que as atenções estão todas voltadas para o recém-nascido.
De acordo com o psicólogo, nesse caso, mais uma vez o diálogo deve entrar em cena.Conversar é fundamental nesses momentos. É preciso que os parceiros discutam sobre esse assunto e se respeitem. O parceiro tem que levar compreensão e segurança à parceira, para que ela passe de forma tranquila por esta fase e perceba que não é por estar fora de forma que o amor e o desejo acabarão, ao contrário, estará mais fortalecido por terem um filho na vida deles”explica.
Essa fase de compreensão e solidariedade é muito importante para que os problemas não evoluam para a dissolução do relacionamento. Thiago conta que “infelizmente, muitos homens não conseguem superar a fase pós-parto da parceira. Esse período requer muito tato e desprendimento do homem. O bebê chega e requer atenção quase 24 horas da nova mamãe. Se o parceiro não estiver atento a isso ou não compreender está fase, acabará por sentir-se preterido e pode achar que a mulher não o ama mais, não o quer mais. Muitos homens sentem-se enciumados pela atenção que a mãe e as pessoas em geral dão ao bebê, partindo para a briga e até separação. As mulheres também devem perceber esse momento e não deixar o parceiro completamente de lado. Quando o homem é muito ciumento e a mulher nota isso, deve buscar lhe dar mais atenção, a fim de que o relacionamento não esfrie ou acabe”.
Foto: Reprodução
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Segundo o site babycenter, acredita-se que cerca de 10% das mulheres sofra de depressão pós-parto, embora uma recente pesquisa da Royal College of Midwives, do Reino Unido, tenha indicado que o número possa ser bem maior. Ainda segundo a publicação, depressão pós-parto não é a mesma coisa que uma espécie de melancolia, também conhecida como “baby blues”, ou “blues puerperal”, que geralmente tem início poucos dias depois do parto e provoca tristeza, preocupação, nervosismo e vontade de chorar.
O médico Drauzio Varella explica que a tristeza pós-parto (ou baby blues) é quase fisiológica. De 50% a 80% das mulheres apresentam certa tristeza, certa disforia e irritabilidade que têm início em geral no terceiro dia depois do parto, dura de uma semana a quinze dias no máximo e desaparece espontaneamente. Já a depressão pós-parto começa algumas semanas depois do nascimento da criança e deixa a mulher incapacitada, com dificuldade de realizar as tarefas do dia a dia.
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Foto: Reprodução
Para Thiago, “a intensa mudança dos hormônios femininos durante a gestação, o parto e a amamentação colaboram para a depressão. Além disso, a insegurança em relação ao neném, o medo não saber cuidar adequadamente desse novo ser, a baixa autoestima com o corpo, etc… fazem com que a depressão pós parto apareça para muitas mulheres”.  
Para ele, a forma como o parceiro responde a essas inseguranças da mulher, pode influenciar positivamente ou negativamente o quadro: “Se o parceiro não ajudá-la a superar todas essas crises, se não souber segurar a fase com cabeça fria, com paciência, se for um parceiro ausente ou impaciente, com certeza, a depressão pós-parto só prejudicará a mulher, o bebê e o próprio parceiro e a relação poderá sucumbir”, alerta.
Nós queremos saber se você já passou por alguns dos casos citados acima e como foi para você esse momento. Compartilhe conosco sua experiência!

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