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segunda-feira, 3 de março de 2014

Primos podem casar e ter filhos?


Para psicólogo, a relação afetiva entre primos é tratada com preconceito pelas famílias. Para especialista em Reprodução Humana, filhos de primos podem nascer com problemas se houver doenças genéticas na família.
Foto: Thinkstock
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Da REDAÇÃO
Tudo começou como uma amizade natural entre primos. Unha e carne, a parceria entre eles cresceu para uma paquera inocente na infância e esse sentimento evoluiu para o namoro na adolescência e até mesmo a possibilidade deles casarem um dia. É o caso de Helena (Julia Lemmertz) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) na novela "Em Família", onde ambos viveram um romance apesar de serem do mesmo sangue.
Mas, por causa do ciúme doentio de Laerte no passado, a relação entre os primos foi para o brejo, mas ele, até hoje, nunca esqueceu o amor que sente pela prima e da relação dos primos nasceu Luíza (Bruna Marquezine), sem problemas de saúde. Além disso, a relação entre os primos gerou graves desavenças nas famílias que só se resolverão ao longo da novela.
Do ponto de vista comportamental, explica a psicóloga e terapeuta familiar Cristiane Pertusi, as relações afetivas entre primos podem ser comuns dependendo do tipo de proximidade e convivência que eles têm, ou seja, quando primos muito próximos crescem com proximidade e afeto que podem ser confundidos por afetos de outra natureza durante a adolescência.
adolescência, observa Cristiane, que é um momento de primeiras experiências e de insegurança, mas também de querer aventurar-se em terrenos menos permitidos, podem ser alguns fatores que favoreçam com que primos muito próximos vivam no familiar suas primeiras relações afetivas. "Assim, quando chegam à juventude, essas pessoas têm uma limitada convivência social e, portanto, suas primeiras experiências afetivas podem ocorrer com aquele primo ou prima mais próxima do qual já tem um vínculo afetivo e no ambiente que é mais seguro", analisa a terapeuta.
A psicóloga clínica pela USP, Triana Portal, entende que há um preconceito sobre o assunto. "Remete a ideia de incesto, de proibido, principalmente na sociedade ocidental-cristã. Há também o medo de mal formações genéticas em filhos entre parentes", analisa.
Para o psicólogo especialista em relacionamentos amorosos, Thiago de Almeida, além das famílias encararem que uma relação dessa possa gerar filhos com "problemas genéticos", elas também acreditam que um relacionamento "família com família" pode trazer desentendimentos e brigas futuras entre parentes como é o caso de Helena na novela "Em Família".
"Na maioria dos casos, os problemas mais comuns são em relação à genética e o fator 'pecado'. Mas existem muitos casos onde as famílias não se entendem e os pais proíbem o relacionamento entre os primos. Há também os problemas religiosos. Muitos acreditam ser um 'pecado' casamento entre primos", explica Thiago, considerado o maior especialista em relacionamentos amorosos pelo American Biographical Institute (ABI).
E os filhos de primos nascem com problemas? Sobre este fato, Thaís Domingues, especialista em Reprodução Humana da Clínica Huntington, explica que o risco existe se há doenças genéticas na família, mas é necessária uma avaliação detalhada. "O risco existe se há na família alguma alteração conhecida. Se naquela família existe o risco para o mal de Huntington, por exemplo, que sabemos que é uma doença genética transmissível, o ideal é fazer uma pesquisa nos dois para ver se eles são portadores dessa mutação e avaliar se há o risco", explica Thaís.
A questão é que todos os casais, seja eles primos ou não de primeiro grau, podem gerar filhos afetados por problemas de origem genética. Segundo a Sociedade Brasileira de Genética Médica, para aqueles que não são da mesma família, o risco é de aproximadamente de 3%. Mas, se o casal tiver códigos genéticos parecidos e defeituosos, e isso ocorre mais frequentemente se forem primos de 1º grau, a chance de ter um filho com uma doença recessiva aumenta para 6% a 8%.

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