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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

SELO DE QUALIDADE? Pesquisa derruba o mito da aliança, aquela impressão de que pessoas comprometidas atraem mais pretendentes do que as solteiras

Você está numa festa ótima, mas parece que nenhum dos garçons o enxerga. De repente, um passa com uma bandeja de bolinhos insossos, que a fome não lhe permite dispensar. Pronto. Basta isso acontecer para que, logo em seguida, surjam a seu lado os canapés de caviar. Pois é. Muitos vêem um paralelo nítido entre essa historinha e a própria vida amorosa. Quando está só, não é notado. Basta arrumar um par para despertar o interesse nos outros. É o chamado mito da aliança, que prega um maior poder de atração por quem já esteja acompanhado.

O psicólogo Thiago de Almeida, especialista em relacionamentos amorosos, da Universidade de São Paulo, submeteu 240 pessoas a um teste para avaliar o grau de interesse em pessoas comprometidas. Fotos de belos modelos, sozinhos e acompanhados, foram apresentadas para que os entrevistados avaliassem numa escala de zero a sete o nível de atração, simpatia e confiança que inspiravam. Nos resultados, o nível de interesse pelos modelos acompanhados, ou que ostentavam alianças, apareceu bem abaixo dos que estavam aparentemente descompromissados.

Thiago defende que a aliança não é um ímã, mas também não é suficiente para repelir a atenção alheia. “A pesquisa serviu para mostrar que é uma balela querer se aproveitar dessa situação.”

As conclusões da pesquisa de Thiago estão longe de ser unanimidade. O estudante Rafael Marques, 21 anos, garante que não há mito nenhum na situação: é pura verdade. Sempre que está namorando, percebe um interesse maior por parte de meninas que, durante os períodos de solteirice, o ignoram. Segundo ele, a abordagem muda. As meninas se tornam mais curiosas, exaltam qualidades. “Vários amigos e amigas comentam que também é assim com eles”, diz.

O psicólogo analítico-comportamental Carlos Augusto de Medeiros concorda, em parte, com o estudante. Segundo o especialista, esse tipo de atração está ligado a fatores diversos. O primeiro seria o observado por Rafael, que pode ser chamado de status adquirido com o relacionamento. É como se o fato de estar acompanhado já validasse o bom perfil da pessoa desejada. Nesse caso, segundo o especialista, a preferência estaria ligada a uma falta de determinação para escolhas. “Sentindo-se incapaz para escolher, a pessoa acaba adotando o padrão alheio como referencial”, diz.

O autoboicote seria um outro motivo para despertar o interesse por pessoas acompanhadas: ao investir em uma pessoa compromissada, inconscientemente levamos o relacionamento ao fracasso. Esse tipo de atração seria um ponto de fuga para pessoas que não conseguem desenvolver um relacionamento. Há um terceiro grupo, disposto a entrar em confusão. São aqueles que vêem num casal um desafio a superar. É a atração motivada pela competitividade.

Opiniões divididas
Nas ruas de Joinville, a reportagem perguntou se as pessoas acreditam que homens e mulheres casados, que usam aliança, atraem mais que os (as) solteiros (as).
Já fui assediada, mesmo usando aliança de casamento. Mesmo assim, acho que os homens são mais cautelosos ao abordar uma mulher com anel dourado.
Sabrina Senem Soares, 23 anos, estudante
É fato: as pessoas comprometidas atraem mais. Uso aliança prateada na mão direita, mesmo sendo solteiro. Isso parece chamar muito mais a atenção.
Jean Pierre, 19 anos, vendedor
Um anel no dedo não quer dizer nada. Não acredito que chame mais atenção e nem que seja um selo de qualidade. O assédio é o mesmo, independentemente de a pessoa ser comprometida ou não.
Tatiane dos Santos, 24, atendente de caixa

Acho que não muda nada. Na hora da paquera, as pessoas sempre respeitam quem tem aliança. Nunca namorei nem usei aliança, mas acho que usar anel não muda nada.
Luana de Sousa, 17 anos, estagiária
Com certeza quem usa aliança chama mais atenção. Principalmente dos homens. Quando eles vêem uma mulher bonita de aliança, sabem que podem paquerá-la sem ter de se comprometer com ela.
Jandira Sehanem, promotora de eventos, 56 anos

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