Mostrando postagens com marcador Thiago de Almeida USP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Thiago de Almeida USP. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O ciúme que adultos sentem de crianças pode levar a reações agressivas?



O ciúme é um sentimento que cega e leva pessoas a terem reações agressivas. Entenda como lidar com essa situação quando uma criança está envolvida nisso

Por Juliana Borges - 22/06/2017

O caso da menina Isabella Nardoni, morta aos 9 anos, em São Paulo, continua mexendo com a opinião pública. Isso porque as investigações trouxeram à tona há alguns anos o possível motivo do crime: ciúme. Mas que sentimento é esse capaz de levar as pessoas a terem reações agressivas?
Sentimento que cega
Falta de auto-estima e de amor próprio estão entre as principais raízes do ciúme. A esses fatores, somam-se com frequência paixão doentia e dependência emocional do outro. A pessoa ciumenta enxerga rivais reais e imaginários em qualquer situação e os utiliza como desculpa para brigas. “O ciúme acontece não só pelo medo da traição, mas também quando a atenção do par é redirecionada a outra pessoa ou ao trabalho, por exemplo. Nesse caso, até um filho pode ser visto como rival, pois quem é ciumento vai personificar a sua insegurança na figura da criança”, explica Thiago de Almeida, psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP).
Lembranças do passado
– No caso de padrastos e madrastas, o ciúme da criança pode ser intensificado porque ela lembra que o par já teve um compromisso anterior e é, muitas vezes, motivo para que haja conversas e reencontros com o ex-cônjuge.
– Embora nada justifique a violência, em especial contra os filhos ou enteados, o especialista acredita que o ciúme é capaz de levar os adultos a reações agressivas e bastante irracionais. Essas atitudes vão da negligência no cuidado com o pequeno até maus-tratos físicos, verbais e emocionais, quando o ciumento tenta diminuir a auto-estima da criança.
– Por outro lado, o menino ou a menina pode medir forças com os adultos e contribuir para os conflitos entre os casais. Isso ocorre, principalmente, por falta de senso crítico dos pequenos ou devido à insegurança diante da formação de uma nova família.
– “Às vezes, as crianças testam os pais e chegam ao limite, ainda mais quando eles já estão estressados. Entretanto, é preciso lembrar quem é o adulto da família e conversar de forma civilizada sobre os problemas”, opina a psicopedagoga Betina Serson, especialista na relação entre pais e filhos.
Para ter relações saudáveis e evitar reações agressivas
– Observe se há interações positivas entre a família. Quando há disputa de atenção e o ciúme perde o controle, é necessário procurar ajuda profissional.
– “Padrastos e madrastas ciumentos precisam entender que a criança faz parte do passado, mas também do presente e do futuro do par. A partir do momento em que decidem fazer parte dessa história, devem respeitá-la e saber que a sua história não substitui ou se sobrepõe à outra, mas que elas se somam”, destaca o psicólogo.
– Para Betina, é importante que padrastos e madrastas falem como se sentem diante do enteado e da relação que o gerou. “O casal deve discutir o assunto para que não haja interferências do relacionamento anterior no atual, o contato com os ex-parceiros seja amigável e os filhos sofram o mínimo possível”.
– Não permita que as crianças sejam usadas como pivô das brigas ou desculpa para evitar separações. “Isso é muito ruim para todos. O casal precisa ser pai e mãe, mas também ter vida própria, assumir suas responsabilidades e discutir o que realmente = está por trás dos problemas”, afirma a psicopedagoga Betina Serson.
Consultorias: Thiago de Almeida, psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo; Betina Serson, psicopedagoga, de São Paulo






quarta-feira, 21 de junho de 2017

Após uma traição, esconder sentimentos como mágoa e desconfiança não resolve o problema; abra o jogo

Encarar a infidelidade nunca é fácil, pois entram em jogo fatores como autoestima, confiança, cumplicidade e vida sexual e muito mais. É claro que é possível superar o sofrimento inicial, perdoar e dar continuidade à relação.
O problema é que, frequentemente, o perdão não faz com que a pessoa traída se esqueça por completo do ocorrido, e passa a esconder sentimentos de dúvida, ciúme e um medo terrível de que uma nova traição aconteça.
Essa paranoia oferece o risco de colocar a perder um relacionamento que pode e vale a pena ser reconstruído. Para acabar com a insegurança –ou, pelo menos, mantê-la em um nível saudável e menos dolorosos– , confira três orientações básicas:
Perdoe de fato, não da boca pra fora
Segundo Thiago de Almeida, mestre pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), não são poucas as pessoas que tentam evitar os conflitos para preservar a relação em momentos difíceis como uma traição.
“Há quem tente simplesmente colocar uma pedra sobre o assunto, em vez de esmiuçá-lo, o que transforma o perdão em algo superficial. Por fora, a pessoa quer mostrar que tudo está bem, mas internamente fica analisando o tempo todo o comportamento do parceiro, em busca de pistas sobre uma nova infidelidade”, diz.
O psicólogo diz que quem foi traído e não consegue desculpar de verdade, em vez de gastar energia e se concentrar nos novos rumos do romance, começa a perseguir o outro, vasculhar suas coisas, seguir seus passos nas redes sociais. Por isso, discutir a relação é necessário para superar o problema. E isso não significa apontar os erros de cada um, mas assumir responsabilidades e novos comprometimentos.
Não se apegue detalhes
Questionar alguns pontos sensíveis do relacionamento para tentar elaborar ou até mesmo explicar a traição é uma coisa. Tentar descobrir os detalhes, inclusive os mais sórdidos, sobre em que circunstâncias ela aconteceu é outra bem diferente (e muito nociva). O que importa se o sujeito que a fez perder a cabeça é careca e tatuado? Faz diferença saber como é o carro da mulher com quem ele foi para a cama? Evite alimentar ainda mais a paranoia.
“Pior ainda é forçar o traidor a contar os pormenores sobre as relações sexuais que tiveram. Isso só serve para se machucar ainda mais, e em um momento em que é preciso ser uma pessoa inteira para reconstruir a autoestima e ter um olhar diferente sobre a relação”, conta a psicóloga Raquel Fernandes Marques. Ela afirma, ainda, que em muitos casos o sexo só funcionou como uma válvula de escape, não como a motivação principal para a infidelidade. “É claro que é preciso conversar sobre o que houve, senão o tema vira tabu. Mas certas particularidades não têm a ver com a história do casal, e é ela que merece ser analisada”, declara Raquel.
Dê um voto de confiança
Você perdoou a infidelidade, a convivência vai bem, seu parceiro parece realmente arrependido, mas a insegurança volta e meia marca presença na sua cabeça. Abra o jogo sobre seus sentimentos; afinal, o diálogo sempre é o melhor caminho para solucionar qualquer crise na vida de um casal. No entanto, não transforme as confissões em um mecanismo de cobrança e de vingança.
“Agir dessa forma é condenar ao fracasso um relacionamento com chances de dar certo, de se restabelecer”, afirma a terapeuta sexual e de casal Carmen Janssen. Por mais que doa, ela explica que é preciso ter consciência de que, se a traição aconteceu, é porque houve espaço para a entrada de uma terceira pessoa.
Assumir a parcela de responsabilidade sobre o que houve é sinal de maturidade e ajuda a enxergar o parceiro como ele de fato é, e não sob a visão distorcida da mágoa e da raiva. “E é necessário dar um voto de confiança, acreditar na palavra alheia. Afinal, vocês construíram uma história juntos. Em vez de se concentrar nos erros, que tal pensar nas coisas positivas do relacionamento e, assim, seguir mesmo em frente?”, diz Carmen.