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sábado, 10 de setembro de 2011

Perdoa-me por me traíres



E quando o assunto é o perdão, a capacidade de reconstruir o relacionamento após uma infidelidade vai depender de uma série de fatores, ligados à postura de ambos os envolvidos após o ocorrido. A tendência para a vitimização do traído, que diz ter perdoado, mas recorre ao fato a todo instante, é uma das atitudes capazes de destruir a relação de vez, segundo alerta a psicóloga e escritora Olga Tessari.
"É comum que a pessoa não se conforme com a traição e continue a adotar o papel de vítima, mesmo depois do perdão. Porém, isso só dificulta mais a reconciliação. É importante pensar que ambos têm uma parcela de culpa no fato. Só assim haverá um desejo mútuo de reconquista e, então, a página poderá ser realmente virada", afirma Olga.
Outro erro corriqueiro nos processos de reconciliação ocorre quando o casal envolve outras pessoas nas suas decisões. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho podem acabar atrapalhando ao tentar ajudar. Para tanto, vale o velho ditado: "Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher".
"Muitas vezes, os conselhos só servem para aumentar mágoas e conflitos. O casal deve tentar virar a página sozinho, mas, caso não consiga, o ideal é procurar uma ajuda profissional", alerta.
Já entre os que procuram equacionar liberdade e compromisso, como bradou Raul Seixas em suas canções "A Maçã" e "Medo da Chuva", o mais importante, segundo especialistas, é reconhecer se ambos realmente concordam com a premissa de uma relação aberta. Muitas vezes é comum que um dos envolvidos aceite o acordo apenas "entre aspas", motivado pela pressão do parceiro.
"No caso das relações abertas, vai depender de como o casal lida com a decisão. Em geral, eles até contam um para o outro e aproveitam a experiência para melhorar a relação. Mas é preciso que o acordo seja muito bem resolvido para não haver arrependimento depois."

(JG)





Infidelidade
Além das crises conjugais, há inúmeros outros fatores que levam à traição. No estudo desenvolvido pelo psicólogo Thiago de Almeida, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), foram mapeados pelo menos oito, que vão desde carências até a fantasia que muitos têm por trair (veja lista completa no site www.jornalpampulha.com.br).
Entre os homens, a principal causa relatada se refere ao chamado "efeito novidade". Segundo Thiago, ele é originado pelo mito de que o novo é sempre melhor que o habitual e, além de estar ligado a um desejo de aventura, possui origens biológicas.
"Existe um complexo nervoso instalado no nosso cérebro que atua como um centro de recompensas. Cada vez que você recebe um toque de alguém que gosta ou tem uma recordação legal, automaticamente esse centro é ativado. E os nossos parceiros também são capazes de fazer isso. Porém, com o tempo de relação, a tendência é que os estímulos deixem de fazer efeito. Então, a pessoa pode passar a buscálos numa relação extraconjugal", explica.
No entanto, ele ressalta que a fidelidade é, antes de tudo, uma escolha, motivada por aspectos culturais e não biológicos. "A fidelidade é uma questão de livre arbítrio, que transcende as ações dos imperativos biológicos. A pesquisa mostra que não somos marionetes dos nossos próprios sentimentos, somos capazes de superá-los em prol de uma construção", pondera, citando que 90% das mulheres e 60% dos homens ouvidos afirmaram ser fiéis, mesmo tendo sido traídos anteriormente.
Já na infidelidade feminina, o fator vingança foi o motivo verificado em um terço dos depoimentos. Segundo Almeida, a atitude está relacionada com a dor de ser rejeitado. Para muitos, a descarga emocional gerada pelo fato é tamanha que só conseguem elaborar a traição dando o troco. "É uma forma não-verbal de atingir o parceiro, de machucá-lo."





AS CAUSAS DA TRAIÇÃO
Durante estudo, o psicólogo Thiago de Almeida, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), listou os motivos que levam uma pessoa a trair. Confira:
Vingança/retaliação
A busca da vingança, quando na situação de traído, permite, em alguns casos, a descarga emocional. Muitas vezes, é difícil elaborar a dor de ser rejeitado(a) e toma-se a decisão de dar o troco, pagando na mesma moeda, ou seja, sendo infiel também.
Prazer/fantasia
Algumas pessoas sentem prazer com suas experiências de infidelidade. Usualmente, gostam do que fazem e não pensam no bem-estar e na felicidade do outro. Normalmente, são pessoas com um tipo de personalidade que rejeita a monogamia.
Desespero/Problemas sem controle
Pessoas frágeis e/ou inseguras podem sentir-se tão infelizes e desapontadas por algum problema ocorrido entre o casal que acabam por trair, mas depois, muitas se arrependem desse descontrole emocional. Em muitos casos, quando isso acontece, o(a) parceiro(a) traído(a) pode acabar com um sentimento de menos valia, sentindo-se muito infeliz depois do acontecido.
Efeito novidade (ou efeito Coolidge)
Pode-se dizer que, em suma, na hora da traição o melhor costuma ser inimigo do bom, porque há uma fantasia de que o tudo que é do outro é valorativamente melhor do que o que nos pertence. Isso estaria relacionado com o que em Psicologia é conhecido pelo nome de efeito Coolidge, ou ainda "efeito da vaca nova".
Carências (física ou/e psicológica)
A infidelidade pode ser motivada por falta de diálogo, carinho, amor, ou ainda simplesmente como um passatempo na cama. Talvez isso elucide, em parte, porque alguns parceiros mergulham de cabeça em outros relacionamentos.
História/ Modelos de vida
A maioria dos fatores estaria relacionada às características do traidor e não do traído. Por exemplo, o histórico familiar do mesmo exposto a modelos comportamentais inadequados como, por exemplo, ter convivido com a traumática experiência de ver o pai ou a mãe traindo um ao outro.
Pretexto para término de relação
Os casos costumam ser identificados pelos traídos como forma do outro comunicar que quer sair do relacionamento. E os traídos ficam à distância, se martirizando e pensando em estratégias alternativas para afastar rivais e recuperar os parceiros. Para ambos os parceiros, esta racionalização é uma estratégia para evitar o confronto com a realidade e esse adiamento, inevitavelmente, leva a um aumento de desonestidade de ambos os lados.
Meia-idade
Para o homem de meia-idade, deixar a mulher por outra bem mais jovem pode representar um alimento para sua auto-estima, a reafirmação da própria potência, um modo de se revitalizar. Essa mesma necessidade de se auto-afirmar como homem pode ainda se expressar por uma verdadeira compulsão de buscar outras mulheres em grandes quantidades.
Fonte: "Ciúme romântico e infidelidade amorosa entre paulistanos: incidências e relações", pesquisa do psicólogo Thiago de Almeida pela Universidade de São Paulo (USP).

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