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domingo, 29 de agosto de 2010

O “ficar”, que é comum hoje em dia, é uma deterioração do relacionamento?

O ficar, dentre as outras possibilidades de relacionamento amoroso contemporâneas, não é um modismo, patologia, deterioração do relacionamento ou um fenômeno superficial e isolado, mas se concatena com outras subjetivações produzidas na sociedade contemporânea. Aliás, tal modalidade pode ser tomada como expressão dos novos paradigmas de relacionamento emergentes nesse tempo. Obedece à mesma lógica que também governa relacionamentos de diferentes espécies e naturezas. A abreviação do tempo e o caráter efêmero e provisório do “ficar” estão presentes em vários outros cenários da contemporaneidade, como algumas vezes, o “morar juntos” é apenas uma das possíveis ilustrações. Não são apenas os jovens que estão vivendo a condição de encurtamento e abreviação de seus relacionamentos amorosos. Podemos citar também a abreviação dos vínculos empregatícios e a rarefação dos relacionamentos outrora sólidos e duradouros, tais como os de vizinhança, amizade e os familiares.
É inegável pensarmos que as concepções contemporâneas referentes ao amor são de extrema importância para a organização das várias culturas e sociedades porque implicitamente definem o que é apropriado e desejável para o relacionamento interpessoal. O amor é considerado como detentor de poder atrativo como veículo para a intimidade, pelo que é criador de novos laços, que adquirem contornos específicos em diferentes contextos sociais. Preferências e seduções à parte, flertar é um jogo em que ambos os jogadores estão munidos aparentemente com as mesmas armas, e o que difere é como e quando cada um vai utilizá-las. Logo, seduzir é uma arte e disso ninguém duvida. De forma alguma ela é um segredo. Todos nós queremos viver um grande amor e com uma paixão ainda melhor, nem que seja uma única vez. “Staying together”, “To stay with”, “One night stand”, ou mesmo, como é conhecido no Brasil, o “ficar” é um relacionamento afetivo bastante popular entre os adolescentes e caracteriza-se por ser breve, passageiro, imediatista, volátil e descompromissado. Análises comparativas evidenciam que o ficar obedece à mesma lógica que rege outros relacionamentos. Na década de 1980, a chamada “amizade colorida” entrou em ação. Tratava-se de algo diferente do namoro. Rapazes e moças mantinham encontros libidinosos, com o compromisso de não terem quaisquer compromissos! Com o passar dos anos o namoro continuou em processo de mutação. Assim, uma nova modalidade de namoro surgiu. Como a adolescência é uma idade instável, o desejo de independência e liberdade provocou um novo tipo de relação: o Ficar.
Em suma, o ficar pode ser interpretado como sendo: Um código de relacionamento marcado pela falta de compromisso e pela pluralidade de desejos, regras e usos. O objetivo principal é a busca de prazer ‘Ficar com’ é a maneira mais fácil de chagar perto do outro sem se comprometer. É um exercício da sedução.

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