segunda-feira, 22 de julho de 2013

CONHEÇA OS 10 ERROS FATAIS NA HORA DE ARRANJAR UM NAMORADO

Witley Paulo | 15:56 | 0 comentários
Com mais um Dia dos Namorados batendo à porta – mais um, sem namorado – pode ficar difícil manter a calma e discutir a relação, ou, no caso, a falta de relação! É muito provável que você esteja derrapando em alguns pontos básicos ou, no mínimo, se atrapalhando com os inúmeros estereótipos que cercam a Arte da Sedução. Fomos consultar especialistas em relacionamentos para descobrir quais são os erros mais comuns que as mulheres cometem na hora de se aproximar do sexo oposto. Observe que nenhum dos ‘erros’ apontados pelos especialistas tem a ver com o tamanho do peito ou os quilos a mais na balança. Acompanhe os exemplos a seguir e descubra como as mulheres conseguem cometer erros bobinhos por insegurança ou baixa autoestima:
Erro 1: Já reparou como às vezes parecemos ligeiramente histéricas quando estamos interessadas num homem?
Conheça os 10 erros fatais na hora de arranjar um namorado
Quando não estamos interessadas em alguém, costumamos levantar, dar de costas, recuar, ficar meio de lado, evitar o olhar do outro, certo? E quando o interesse é excessivo? Você se inclina demais, vira totalmente o corpo na direção do “alvo”, muitas vezes até excluindo quem está do lado, explica o psicólogo Thiago de Almeida, psicólogo do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor de A arte da Paquera – Inspirações à realização afetiva (Letras do Brasil). Pior, fala mais alto, ri demais, seu tom de voz fica mais agudo e você gesticula afetadamente, principalmente quando não sabe o que dizer, mas está totalmente entregue à tarefa de prender a atenção do outro. Reconhece a cena? Pois então, na próxima vez, calma com o gestual. Esse interesse todo assim gratuito (afinal, você mal conhece o rapaz) e declarado de forma tão explícita, acaba sendo assustador.  Segundo Thiago, é preciso aprender a se comportar até na hora da conquista. Ele sugere que você tente tirar a atenção de si mesma e comece a prestar atenção no outro.
Erro 2: A verdade por trás do famoso telefonema do dia seguinte
Ligar ou não para ele no dia seguinte costumava ser o maior dos dilemas. Hoje, definitivamente, não é mais. Ligue ou não ligue, tanto faz, mas lembre de fazer direitinho o SEU dever de casa: tentar adivinhar como ele se sente após o encontro é pura perda de tempo, ao contrário, procure descobrir como VOCÊ se sente em relação a ele. E prepare-se para não dar nenhuma resposta definitiva para si mesma. Se ele telefonar será para convidar você para um próximo encontro. E a intimidade entre as pessoas, amantes ou não, se faz assim mesmo, devagar, encontro após encontro. Por isso, ligue se tiver vontade de dizer como se sente. Mas desconfie de si mesma se, além de vários SMS, já mandou um email na madrugada, contou para todas as suas amigas logo de manhã ‘como ele é O cara’ e já estiver com o clique pronto para adicioná-lo no Facebook, no Twitter e descobrir ‘tudo’ sobre ele.
Erro 3: Definitivamente, o Príncipe Encantado não existe. Vivam os sapos!
Se em vez de um homem bom, você anda buscando um homem belíssimo, alto, rico e que entenda tudo de design, então você está se comportando como uma adolescente e, com certeza, os homens vão passar bem longe de você. Esse é um dos excelentes conselhos de Tracy McMillan, no seu best-seller, Por que você não se casou...ainda? (L&PM) De fato, ficar só flertando com os bonitões e descartando os caras comuns é uma ilusão da mulherada, que se deixa fascinar por novelas de TV e acha que precisa de alguém tão melhor, mais interessante, mais bonito, mais rico, mais qualquer coisa do que ela mesma. Os rapazes apreciam nas garotas com quem escolhem se relacionar as características e os valores que são comuns a eles. 
Erro 4: O amor não tem hora para chegar
Relembre a cena: você decide que de hoje não passa e sai vestida para matar, decidida a encontrar o amor da sua vida, só para voltar, muitas horas e muitos drinques depois, frustrada consigo mesma por não ter conseguido. Os psicólogos chamam isso de autoboicote, ou seja, você estipula uma meta irreal, fantástica e impossível, apenas para se justificar depois, dizendo: “Ah, não consigo mesmo, sou uma megera horrorosa e sem graça e ninguém NUNCA vai gostar de mim!” Burrice? Pois saiba que esse comportamento é mais comum do que você pensa! Pessoas realmente bem sucedidas no amor não se encontram aos montes. E isso porque não é nada simples se dar bem no amor: requer um número considerável de fatores, do sincronismo do encontro ao investimento diário na relação. Não é rápido, não é cedo, nem basta pôr na cabeça para acontecer.
Erro 5: Se você não gosta da sua própria companhia, por que alguém, sobretudo um homem, vai gostar?
“Estar bem, mesmo estando sozinha é um aprendizado e requer treinamento, já que nossa cultura não estimula isso”, explica o psicólogo Thiago de Almeida. Está sozinha? Então aproveite seu tempo livre para investir mais nos seus interesses e começar a gostar mais de estar junto com você mesma. Faça mais ginástica e curta o seu corpo, volte para o curso de línguas e divirta-se com sua pronúncia, procure uma paixão, leia, escreva, desenhe, dance, ouça música, saia com amigos, seja uma Você melhor e mais divertida a cada dia! No mínimo, depois desse exercício de ficar bem consigo mesma você vai acabar descobrindo que consegue ser feliz sem precisar ser um par. E, aí, quem sabe, o cara que vai gostar de você do ‘jeito que você é’ aparece.
Erro 6: Sentir atração pelo cara errado é pura vaidade
Ainda existem mulheres que costumam valorizar o tipo cafajeste e vivem se apaixonando pelo ‘cara errado’. Os mais mentirosos, egoístas, manipuladores, são exatamente os que têm uma abordagem mais agressiva ou com mais “pegada” e, para algumas, isso ainda tem um quê de irresistível. De acordo com o psicoterapeuta Flávio Gikovate, esses homens obtêm sucesso com algumas mulheres porque elas se sentem envaidecidas pela forma explícita, sem rodeios  como eles demonstram seu desejo. Ou seja, não é sina se apaixonar pelo cara errado, é vaidade mesmo. Simples assim.
Erro 7: Alguém para casar? Fala sério!
Mesmo que essa seja a mais absoluta verdade e você se sinta totalmente pronta para se envolver eternamente numa relação, isso não é assunto para conversa num primeiro encontro (nem no segundo, no quarto ou no décimo, aliás). É tema de terapia, conversa com irmã ou de jantar entre amigas. Os homens têm uma visão muito prática sobre esse assunto: para eles, amor e sexo são uma coisa e casamento é outra. Casamento, inclusive, na opinião masculina, é uma obsessão feminina. Claro, casar pode muito bem fazer parte da trajetória de um casal, se e quando ambos acharem que viver a dois pode ser melhor do que viver só; mas querer “alguém pra casar” não pode ser a principal razão de um encontro, e, certamente, é um fator determinante para afugentar qualquer homem sensato.
Erro 8: Não use suas conquistas para competir com ele
Você é economicamente independente, tem vastos interesses, um belo cargo, é bonita, elegante e... está sozinha? Muitos homens podem não se aproximar porque acham que com tantos atributos, você vai querer certamente competir com eles. Ou então, vão preferir manter distância porque acham que não têm nada a oferecer para uma mulher tão ‘poderosa’ como você ou por receio de não merecer a SUA admiração. Para muitas mulheres é difícil imaginar que os homens também têm suas inseguranças. Eles têm, sim, e preferem as mulheres amáveis aos...’tratores’! Se você usa os seus atributos como uma arma apontada contra os outros, então prepare-se para ficar sozinha no seu pedestal. Quebre o “gelo”, mostrando que garota legal você é, dê o primeiro passo, mas, claro, lembrando-se de descer do salto primeiro!
Erro 9: A arte da conquista
A conquista é uma arte, alguém já disse isso, com certeza. Todos os animais sobre a Terra têm seus mecanismos para atrair o sexo oposto – então, porque o homem e a mulher não teriam também seus truques de atração? Segundo os especialistas, a feminilidade é um desses atrativos: menos a parte do decotão e mais o jeito delicado de sentar; menos o argumento ‘imbatível’ e mais o jeito de ouvir. Nessa dança da sedução, a primeira abordagem é importante. “Chegar se impondo, dando tapinhas e pretendendo ser a ‘dona’ do pedaço é um erro de cálculo feminino”, explica Thiago de Almeida. Homem nenhum gosta de se sentir desafiado ou intimidado, ainda mais na frente dos amigos. E, cá para nós, esse jeito todo agressivo não é também uma forma de insegurança?
Erro 10: Se você acha que não é boa o bastante, provavelmente não é mesmo
Entre as inevitáveis rejeições masculinas e as capas das revistas exibindo o mulherão que você não é (pouquíssimas, são, na verdade), acreditar que você não é boa o bastante é fácil. E isso acaba sendo verdade. Se você não se valoriza não está sendo boa o bastante para si mesma. Boa o bastante é a mulher tão consciente dos seus pontos fracos, quanto de suas qualidades e de seus pontos fortes. Que é tão amorosa consigo mesmo quanto é com os outros. Porque, independente de ter ou não um namorado, com a autoestima no lugar a vida vai ser boa e divertida de qualquer maneira. 

O NASCIMENTO DO MONSTRO


 
O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos, em seu livro 'Ciúme: o medo da perda', que já se tornou referência na abordagem do assunto, observa que o ciúme é um sentimento de apreensão relacionado à possibilidade de uma pessoa ser abandonada, rejeitada, menosprezada, ou ainda de haver uma infidelidade a caminho. É o receio de não ser mais amado, de não possuir ou ser dono de alguém. A sensação de 'pertencimento' fica comprometida e ameaçada.

O ciúme funciona como um dispositivo de alerta. Quando o sinal laranja acende na cabeça do ciumento, ele sente como se não estivesse mais conectado com o parceiro como gostaria. E por que, na maioria das vezes, homens e mulheres reagem a essa gama de sentimentos e sensações de formas diferentes? Quem explica é o psicólogo Thiago de Almeida, professor na Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do artigo 'O ciúme romântico e os relacionamentos amorosos heterossexuais contemporâneos'.

"Há 10 mil anos, o homem das cavernas tinha expectativa de apenas 23 anos de vida e precisava procriar o máximo possível nesse pouco tempo. Era uma questão de sobrevivência da espécie. O homem não permitia que a mulher tivesse outros parceiros sexuais porque, se ela engravidasse de outro, era menos um ano na vida dele para pôr seus descendentes no mundo. E criar filhos alheios significava gastar recursos evolutivos (água, frutas, caça) para preservar a prole de outro, em detrimento da sua própria prole", analisa o psicólogo.

Já a mulher via o homem como o seu provedor e protetor. "O temor de o macho se interessar por outra fêmea se prendia à ameaça de ser abandonada. Ela não queria perder o protetor e o mantenedor, dela e dos seus filhos, e de ver rompida a sua ligação emocional. Portanto, os ciúmes de homens e mulheres tinham foco distinto", afirma Almeida.

Segundo o psicólogo, nos tempos atuais, a cultura é outra e até relativiza essas questões, mas o cérebro continua o mesmo, principalmente em casos de suspeita de traição. Na mente de quem foi atacado pelo "monstro de olhos verdes", como William Shakespeare definiu o ciúme na obra 'Otello', um suposto rival passa a ser visto como potencialmente mais atraente e gratificante do que ele, gerando sentimentos como desconfiança, medo, angústia, constrangimento, raiva e rejeição, entre outros.

"O homem continua não admitindo a mera possibilidade do 'lavou tá limpo'. Quando conquista uma mulher, ele a conquista sexual e emocionalmente. Se ele acha que a mulher está interessada em outro, se sente duplamente traído. Na sociedade patriarcal que ainda vivemos, existem dois pesos e várias medidas para tratar de ciúme e infidelidade. De cada dez mulheres traídas, sete perdoam seus parceiros. O homem não. Ele quer exterminar o objeto do ciúme", avalia Almeida.

Sete atitudes que melhoram um relacionamento desgastado

A relação sofreu desgaste, mas ainda vale a pena lutar por ela? Então abrace, pegue na mão, converse e beije (muito) o seu parceiro. Veja outras dicas para reavivar o amor do casal

Bianca Castanho - iG São Paulo 
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Uma relação feliz, saudável e harmoniosa são requisitos indispensáveis para uma vida a dois recompensadora. Porém, por inúmeros motivos, os relacionamentos passam por períodos de desgaste. “Uma das maiores dificuldades está na questão do diálogo. A escassez de conversa e a falta de paciência em ouvir o outro influenciam negativamente o relacionamento”, explica a terapeuta de casais Ana Cavalcante. Para a sexóloga Carmen Janssen, outros fatores também podem colaborar para essa situação. “São diversos motivos. Podemos citar alguns deles, como excesso de trabalho, preocupações do cotidiano, o cuidado com os filhos, falta de dinheiro, cansaço.”

Getty Images
“É preciso criar um ambiente para que o desejo e o carinho voltem a se instalar e priorizar momentos só para namorar”, explica a sexóloga Carmen Janssen

Um dos vilões mais difíceis de combater em um relacionamento, no entanto, é a monotonia da rotina que se instala com o passar do tempo. A convivência no dia a dia cria uma espécie de costume com a presença do outro. Nessas situações, o desejo e a sedução são deixados de lado. “Paradoxalmente, o amor precisa da aproximação, do aconchego e da intimidade, mas o desejo necessita da distância e de um pouco de incerteza, ingredientes importantes para despertar a vontade de matar a saudade”, explica a sexóloga.
Para reacender a paixão e dar novo ânimo ao relacionamento, separamos algumas dicas fáceis de serem colocadas em prática no dia a dia.
Converse 
Embora seja uma dica simples e muito conhecida, é a mais eficaz em uma situação de desgaste. Exponha o que sente e o que acha que pode ser melhorado na relação. “É fundamental que o casal converse com o coração aberto e proponha estratégias para que a relação volte a ser empolgante”, opina Carmen.

Abrace e pegue na mão 
O contato físico é muito importante para recriar laços que foram perdidos. Um abraço surpresa, andar de mãos dadas ou um beijo no rosto fazem com que o outro se sinta aconchegado e amado. “Não precisa ter sempre sexo, mas carícias”, diz a sexóloga.

Divida as tarefas domésticas 
Com o passar dos anos, algumas tarefas domésticas do cotidiano são deixadas a cargo de um ou de outro de maneira tão estabelecida, que a impressão é que só um dos dois é responsável por essas atividades. Que tal dividi-las? Com a ajuda mútua, o esforço conjunto valoriza a presença de cada um no relacionamento. “Arrumar a cama e lavar a louça faz com que o casal aprenda a olhar mais para o outro, respeitando seu parceiro e suas habilidades”, comenta a terapeuta Ana Cavalcante.

Namore 
No começo do relacionamento, o casal tem a tendência de esquecer as pessoas ao redor – o mundo é exclusivo dos enamorados. “Nas fases iniciais do relacionamento, não existem muitos ruídos, pois o casal ainda está se conhecendo e presta mais atenção no que o agrada ou desagrada o outro”, explica Thiago de Almeida, psicólogo especialista em relacionamentos amorosos e autor do livro “Amor, Ciúme e Infidelidade: Como Essas Questões Afetam Sua Vida” (Editora Letras do Brasil).

Que tal reservar alguns dias durante o mês para reviver o início do relacionamento? “É preciso criar um ambiente para que o desejo e o carinho voltem a se instalar e priorizar momentos só para namorar”, explica Carmen.
Beije na boca (muito!) 
Com o passar do tempo e a diminuição do desejo, os beijos apaixonados vão se tornando selinhos monótonos. Uma bola de neve começa a se formar: quanto menos o casal se beija, menos tem desejo pelo parceiro. Quanto menos desejo, menos vontade tem de beijar. Portanto, dê beijos apaixonados todos os dias, seja um ou dez. O que importa é aproveitar esse momento com seu companheiro.

Elogie seu parceiro 
Deixe a monotonia de lado e invista em elogiar o seu parceiro, admirar seus feitos e lembrá-lo de como você é grato de tê-lo ao seu lado. “A monotonia é mortal para relacionamentos amorosos. Ela faz com que as pessoas acreditem que já conquistaram tudo e não precisam investir mais energia noa relação. Quando o casal torna-se íntimo, perde algumas motivações, como renovar, conquistar e cortejar”, explica Thiago de Almeida.

Invista no erotismo 
O maior órgão sexual, tanto do homem quanto da mulher, é o cérebro. Portanto, dinamize sua vida sexual com muito erotismo. Conforme o tempo vai passando, o sexo acaba se tornando algo mecânico. Reverta essa situação. É importante descobrir o que seu parceiro gosta, e tentar realizar as fantasias em conjunto. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Novo livro: Amor, ciúme e infidelidade - com dicas para pacientes e seus terapeutas

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AMOR, CIÚME E INFIDELIDADE: como estas questões afetam a tua vida?


Este livro é indicado para:
Profissionais (médicos, psicólogos, psiquiatras, professores) que lidam diariamente com temas como: Amor, ciúme e infidelidade
Pacientes que enfrentam problemas relacionados a questões como com o Amor
Pessoas que por algum motivo não queiram iniciar um processo psicóterápico.
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Informações do livro

Thiago de Almeida e Graziela Vanni jogaram luz a temas até então obscuros sobre a trilogia Amor, Ciúme e Infidelidade. Trata-se de publicação feita para terapeutas e pacientes, sobretudo porque os autores trouxeram situações de consultório para dentro de suas páginas, de modo a usá-las como fonte e material quase que didático para exemplificar teorias e mostrar o resultado delas na prática. O livro é simples e direto e discorre por temas como teoria do amor, amor patológico, amor e dor, amor próprio, ciúme romântico e doentio, tipos de ciúme, ciúme estresse, fidelidade e infidelidade.
Ficha Técnica: Amor, Ciúme e Infidelidade
Autores: Thiago Almeida e Graziela Vanni
ISBN: 978-85-614-69146 – Páginas: 359
Selo: Letras do Brasil – Preço: R$ 40,00

domingo, 5 de maio de 2013

O MONSTRO DO CIÚME: ESPECIALISTAS ANALISAM MORTES POR CRIMES PASSIONAIS


Não há no Brasil um estudo científico sobre o tema. Nem mesmo um trabalho estatístico com dados oficiais. Mas o fato é que, a considerar o noticiário policial no país inteiro, não dá para escapar à seguinte conclusão: em casos de ‘ciúme romântico’, o homem mata mais que a mulher. Em média, de cada dez crimes passionais noticiados, quando uma pessoa enciumada mata o parceiro, sete são protagonizados por homens.

E qual o motivo do desequilíbrio na balança? Análises psicossociológicas apontam na mesma direção: sentimento de posse que o homem tem em relação à mulher, principalmente no aspecto sexual, insuflado pelo ranço de uma sociedade ainda patriarcal, em que é dado ao homem e vedado à mulher o direito de ser infiel.

Na tentativa de lançar luz sobre o tema e permitir reflexões, O DIA reuniu textos literários, conversou com pessoas envolvidas diretamente em casos de ciúme exagerado e ouviu especialistas — que se propuseram a analisar três aspectos da questão: o que é o ciúme e como ele atua em homens e mulheres; como esse sentimento age na pessoa abandonada pelo parceiro ou em alguém convencido de estar sendo traído (real ou fantasiosamente); e de que forma se chega às tragédias. A soma dessa ampla pesquisa será exibida em três capítulos consecutivos, a partir de hoje.


O NASCIMENTO DO MONSTRO
O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos, em seu livro ‘Ciúme: o medo da perda’, que já se tornou referência na abordagem do assunto, observa que o ciúme é um sentimento de apreensão relacionado à possibilidade de uma pessoa ser abandonada, rejeitada, menosprezada, ou ainda de haver uma infidelidade a caminho. É o receio de não ser mais amado, de não possuir ou ser dono de alguém. A sensação de ‘pertencimento’ fica comprometida e ameaçada.

O ciúme funciona como um dispositivo de alerta. Quando o sinal laranja acende na cabeça do ciumento, ele sente como se não estivesse mais conectado com o parceiro como gostaria. E por que, na maioria das vezes, homens e mulheres reagem a essa gama de sentimentos e sensações de formas diferentes? Quem explica é o psicólogo Thiago de Almeida, professor na Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do artigo ‘O ciúme romântico e os relacionamentos amorosos heterossexuais contemporâneos’.

“Há 10 mil anos, o homem das cavernas tinha expectativa de apenas 23 anos de vida e precisava procriar o máximo possível nesse pouco tempo. Era uma questão de sobrevivência da espécie. O homem não permitia que a mulher tivesse outros parceiros sexuais porque, se ela engravidasse de outro, era menos um ano na vida dele para pôr seus descendentes no mundo. E criar filhos alheios significava gastar recursos evolutivos (água, frutas, caça) para preservar a prole de outro, em detrimento da sua própria prole”, analisa o psicólogo.

Já a mulher via o homem como o seu provedor e protetor. “O temor de o macho se interessar por outra fêmea se prendia à ameaça de ser abandonada. Ela não queria perder o protetor e o mantenedor, dela e dos seus filhos, e de ver rompida a sua ligação emocional. Portanto, os ciúmes de homens e mulheres tinham foco distinto”, afirma Almeida.

Segundo o psicólogo, nos tempos atuais, a cultura é outra e até relativiza essas questões, mas o cérebro continua o mesmo, principalmente em casos de suspeita de traição. Na mente de quem foi atacado pelo “monstro de olhos verdes”, como William Shakespeare definiu o ciúme na obra ‘Otello’, um suposto rival passa a ser visto como potencialmente mais atraente e gratificante do que ele, gerando sentimentos como desconfiança, medo, angústia, constrangimento, raiva e rejeição, entre outros.

“O homem continua não admitindo a mera possibilidade do ‘lavou tá limpo’. Quando conquista uma mulher, ele a conquista sexual e emocionalmente. Se ele acha que a mulher está interessada em outro, se sente duplamente traído. Na sociedade patriarcal que ainda vivemos, existem dois pesos e várias medidas para tratar de ciúme e infidelidade. De cada dez mulheres traídas, sete perdoam seus parceiros. O homem não. Ele quer exterminar o objeto do ciúme”, avalia Almeida.


DE CIUMENTA OBSESSIVA A PERSEGUIDA PELO NAMORADO


Uma mulher de porte e presença. Essa é Luciana (nome fictício), de 36 anos, que experimentou os dois lados de uma mesma moeda: de ciumenta patológica, daquela que manipulava porteiro e empregada do ex-namorado para saber o que ele fazia depois de chegar em casa, ao papel de coagida, amedrontada, chantageada e até agredida, quando quis terminar um outro relacionamento.

“Posso garantir o seguinte: o ciumento tem a auto-estima baixa. Eu sempre conquistei os homens, até encontrar um que não deu a mínima para mim, se relacionava comigo mas parecia que não se importava muito com a relação, e eu passei a me sentir rejeitada. Aquele sentimento despertou em mim um ciúme doentio e passei a infernizar a vida do meu namorado. Eu tomava conta dele o dia inteiro, telefonava várias vezes, seguia o rapaz, estava sempre enxergando possíveis traições onde elas não existiam. E sofria muito, porque o ciumento exagerado sofre muito”, contou Luciana.

Ela precisou de ajuda e se integrou ao grupo Mulheres Que Amam Demais Anônimas (Mada), na busca de equilíbrio psicológico e emocional. "Eu não queria ser aquilo, eu nunca tinha agido daquela maneira. Com o amparo do grupo, pude me desvencilhar daquela relação doentia e deixar de fazer tanto mal ao rapaz”, confidenciou.

A paz de Luciana não durou muito. Meses depois, conheceu o que pensou ser “um doce de homem”, como ela o descreveu: repleto de atenção e carinho.“De repente, ele passou a me investigar e, por fim, descobriu a minha senha nas redes sociais. Eu mudo a senha e ele descobre novamente. Entra no meu Facebook e deleta meus amigos e fotos que eu posto. Passou a me perseguir, me vigiar.

Estou vivendo esse drama há dez meses, sem conseguir terminar o namoro, porque ele me chantageia. Descobriu um e-mail antigo que mandei a um ex-namorado e ameaça entregá-lo à minha filha. Uma vez, depois de dirigir feito um louco, como se fosse nos matar, parou na porta de casa e me deu um empurrão", contou, mostrando constrangimento.

Medo de que ele a mate? Luciana diz não ter esse temor. “Acho que ele não seria capaz. Mas quando tento terminar o namoro, dá um ataque de ciúme, fica falando em morrer, diz que a vida não tem sentido sem mim”, descreve a mulher. No dia da entrevista, que durou duas horas, o rapaz ligou nada menos que 22 vezes para Luciana.


SENTIMENTO DE POSSE LEVOU À MORTE

O ciúme e a falta de controle emocional e psicológico diante uma perda formaram o enredo da tragédia que teve como personagens principais os jornalistas Antônio Marcos Pimenta Neves e Sandra Gomide. Ele, então com 63 anos de idade, ela com 32, iniciaram um romance em 1995, quando se conheceram no jornal Gazeta Mercantil. Dois anos depois, Pimenta Neves foi ser o diretor de redação do jornal O Estado de São Paulo, para onde carregou a amada, que passou de repórter a editora de Economia.

Ao fim de quase quatro anos, Sandra terminou o relacionamento e, de acordo com depoimentos no processo judicial, Pimenta deu início a uma série de perseguições, que se iniciaram com a demissão da ex-namorada.

Certa vez, como consta nos autos, o chefão do jornal Estadão invadiu o apartamento de Sandra e, de revólver em punho, teria esbofeteado a ex duas vezes, exigindo que ela devolvesse os presentes que ele lhe dera. A jornalista registrou a agressão na polícia.

Em agosto de 2000, Pimenta Neves esperou Sandra num haras, em Ibiúna, São Paulo, e desferiu-lhe dois tiros, sem que ela tivesse a mínima chance de reação. Segundo uma testemunha, a moça ainda pediu que ele não a matasse.


HISTÓRIA DA BÍBLIA JÁ RETRATAVA MACHISMO

Uma das histórias da Bíblia, no Livro Gênesis, retrata com exatidão o que é uma sociedade patriarcal e o papel da mulher nesse contexto. Cerca de dois mil anos antes de Cristo, Sara, mulher de Abraão, o líder da tribo, não conseguia engravidar.

Ela sabia o quanto era importante para o marido fincar sua descendência no mundo e não titubeou: ordenou que sua escrava Agar mantivesse relações sexuais com Abraão, com o único objetivo de lhe dar um filho. A contraditoriedade da situação é que, de acordo com as leis locais na época, a mulher adúltera tinha de ser apedrejada até a morte. O homem podia ser infiel, com ou sem autorização da esposa. A mulher, jamais.

Essa história bíblica, se realmente aconteceu, foi há mais de quatro mil anos. 

FONTE: